Crédito da imagem: Foto de reprodução - G1.

Livro com álbuns dos anos 1970 perpetua legado do som afro-barroco dos Tincoãs

Mauro Ferreira

Um dos grupos mais importantes do universo musical afro-brasileiro, o trio baiano Os Tincoãs – idealizado em 1959 com o intuito de cantar boleros e efetivamente formado em 1960 na cidade interiorana de Cachoeira (BA) pelos cantores Erivaldo Brito, Heraldo Bozas e Grinaldo Salustiano, o Dadinho – começou a deixar legado fundamental para a música do Brasil a partir dos anos 1970. Foi nessa década que Dadinho (que morreria em 2000), Heraldo (que sairia de cena em 1975) e Mateus Aleluia (recrutado em 1963 para o lugar de Erivaldo, que deixara o grupo naquele ano) gravaram em 1973 o primeiro álbum fundamental da discografia dos Tincoãs.

Lançado originalmente naquele ano de 1973, o álbum Os Tincoãs (EMI-Odeon) volta ao catálogo encartado no livro Nós, Os Tincoãs ao lado de outros dois álbuns também relevantes do grupo, O africanto dos Tincoãs (RCA-Victor, 1975) e Os Tincoãs (RCA-Victor, 1977), lançados no auge do trio. O disco de 1975 foi gravado por Mateus e Dadinho com Morais, convidado para ocupar o lugar vago com a saída de Heraldo. Já o álbum de 1997 foi gravado por Mateus e Dadinho com Getúlio de Souza, o Badu, que em 1976 substituiu Morais, cujo tempo de permanência no grupo foi curto. É o disco que trouxe Cordeiro de Nanã (Mateus Aleluia e Dadinho), a música mais popular do cancioneiro dos Tincoãs.

As reedições em CD dos três discos são vendidas somente com o livro, cuja edição – bancada pelo projeto Natura Musical e lançada em dezembro de 2017 – compila dados e memórias sobre a trajetória dos Tincoãs. Escritos por nomes como Adelzon Alves, Carlinhos Brown, Letieres Leite, Martinho da Vila, Iuri Ricardo Passos (ogã do terreiro do Gantois) e Víviam Caroline (jornalista e líder da banda baiana Didá), além do remanescente tincoã Mateus Aleluia, os textos foram selecionados por Gringo Cardia, diretor de arte do livro.

Por mais que o livro se ressinta de maior organicidade na exposição dos dados e fatos da história do grupo, a leitura permite o conhecimento da trajetória básica e da importância do som afro-barroco d'Os Tincoãs, criado a partir de mistura dos toques de instrumentos do Candomblé com o toque do violão barroco e com as vozes dos cantores. Vozes que harmonizavam o timbre agudo de Dadinho com o tom grave de Mateus, os dois vocalistas mais importantes dos Tincoãs, grupo cuja discografia compreende seis álbuns, sendo que o penúltimo, Canto coral afro-brasileiro, gravado em 1983 antes de viagem do trio a Angola, nunca foi lançado comercialmente.

Produto e reflexo da diáspora africana, a música imortal produzida nos anos 1970 e 1980 pelo grupo Os Tincoãs segue influenciando gerações que levam adiante a tradição dos sons afro-brasileiros.

G1
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