Morre Franco Zeffirelli, mestre do cinema italiano, aos 96 anos
15/06/2019 20:35 em Cinema

RFI

 

O cineasta italiano Franco Zeffirelli, conhecido por ser um dos principais nomes do cinema estético, faleceu neste sábado (15), aos 96 anos, em sua casa em Roma. De acordo com a imprensa local, o artista sofria "de uma longa doença que se agravou nos últimos meses". 

Mestre do cinema italiano, Franco Zeffirelli se tornou célebre por suas adaptações de clássicos literatura inglesa para o cinema, como "A Megera Domada" (1967), "Romeu e Julieta" (1968), "Jane Eyre" (1996), "Hamlet" (1992), entre outros. Além de vinte longas-metragens, o cineasta, roteirista e produtor também dirigiu mais de trinta peças de teatro e óperas.

 

Nascido em Florença, em 12 de fevereiro de 1923, Zeffirelli foi fruto de um adultério entre uma estilista e um comerciante de seda. Rejeitado pelas duas famílias, ele concentrou toda a sua energia nas artes e passou a se dedicar desde muito jovem ao teatro e ao cinema. Aos 13 anos, começou a montar espetáculos em salas de igrejas na capital da Toscana, que não esconde seu orgulho de ser a terra natal de um dos maiores nomes do cinema.

"Jamais quis que esse dia chegasse. Franco Zeffirelli partiu esta manhã. Um dos maiores homens da cultura mundial. Nós nos unimos na dor de seus entes queridos. Adeus, querido Mestre, Florença nunca te esquecerá", escreveu no Twitter Dario Nardella, o prefeito da cidade natal do artista.

Formado em arquitetura, Zeffirelli começa sua carreira como cenarista de teatro e cinema, antes de se dedicar à atuação. Um encontro com o cineasta italiano Luchino Visconti muda seu destino. O jovem florentino se torna seu protegido e depois seu namorado, em uma relação vulcânica que marcou a carreira de ambos.

Católico fervoroso, a vida de Zeffirelli também é marcada por suas convicções religiosas. Em 1988, lançou uma campanha contra o longa "A Última Paixão de Cristo", de Martin Scorcese, apresentado em Veneza ao mesmo tempo que seu filme "Toscanini".

Apesar de homossexual, se opõe aos projetos de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Itália. Também se torna um dos raros artistas italianos a apoiar Silvio Berlusconi, quando resolve se lançar na política nos anos 1990. Entre 1994 e 2001, Zeffirelli exerce o cargo de senador.

Quase centenário, reconheceu em março de 2019, em uma entrevista ao jornal italiano Corriere Della Sera, o peso da idade. "A velhice é um enorme fardo, mas ainda busco ideias para colocar em prática e isso me ocupa", afirmou.

 

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