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Brizola atacava Lula pela esquerda; Ciro ataca pela direita

Ciro vislumbra crescer à direita de Lula. Com isso, corre o risco, conscientemente, de fazer dobradinha com a extrema-direita. Ou, como gostava de dizer Brizola, com os filhotes da ditadura.

Publicada em 21/09/22 às 06:38h - 7 visualizações

por Octavio Guedes


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Montagem de Ciro Gomes e Lula  (Foto: Marcos Serra Lima/g1 e Sérgio Castro/Estadão Conteúdo)
Trinta e um anos separam as eleições que Brizola e Ciro Gomes disputaram com Lula. Em cenários bem diferentes. Em 89, Brizola travou com o petista um duelo para ir ao segundo turno contra Collor. Foi voto a voto. Hoje, Ciro está no mesmo partido de Brizola e luta contra o PT, que está de olho em cada voto cirista para vencer no primeiro turno.

Tanto em 89, como agora, Brizola e Ciro tiveram que bater no petista. Natural. Mas qual a diferença dos ataques de Brizola e Ciro a Lula? A explicação é simples: Brizola atacava Lula com golpes de esquerda. Com isso, impedia que a direita se apropriasse de suas críticas. Já Ciro faz o movimento diferente. Usa golpes de direita e, por isso, suas investidas são apropriadas pela campanha de Bolsonaro. General Heleno e o ministro das Comunicações, Fabio Faria, por exemplo, já compartilharam frases e vídeos de Ciro falando de Lula.

Aos fatos. Em 89, Brizola dizia que o PT era a UDN de macacão. E falou literalmente na campanha: "Lula está ficando muito barrigudo e precisa trabalhar mais". Outra pérola: "O Lula se tornou um sociólogo. Não tem mais nada de operário". Brizola queria dizer que Lula estava mais para burguês do que para operário. Mais para a direita do que para a esquerda. Xingamentos imprestáveis para Collor ou qualquer outro candidato de direita. Afinal, não faria sentido a direita acusar Lula de ser direita.

Ah, antes que esqueça! Lula também foi chamado de "bobalhão" por Brizola. No calor da campanha, ser chamado de bobalhão não atrapalhou uma aliança no segundo turno, como a história provou. Derrotado por Lula, Brizola engoliu o sapo barbudo --e o PT, no segundo turno, teve quase 80% dos votos no estado do Rio de Janeiro, estado que Brizola governou em dois mandatos.

Um desfecho que se torna impossível de se repetir em 22, como o próprio Ciro já admitiu. Porque uma coisa é apoiar um operário que virou sociólogo, que precisa trabalhar mais ou que seja um bobalhão. Bem diferente de apoiar um "ladrão", um "partido cleptomaníaco", ou um candidato que mantém um "gabinete de ódio fascista", como Ciro acusa Lula e o PT. São xingamentos que não causariam estranheza se saíssem da boca de Bolsonaro. Ou seja, ataques que a extrema-direita faria com muito gosto.

A diferença não é difícil de entender. Na década de 80, a estratégia de Brizola de empurrar Lula para a direita se dava porque a disputa era pela hegemonia no campo da esquerda. Em 2022, Ciro vislumbra crescer à direita de Lula. Com isso, corre o risco, conscientemente, de fazer dobradinha com a extrema-direita. Ou, como gostava de dizer Brizola, com os filhotes da ditadura.




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